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Investimento hoteleiro em Portugal ultrapassa 500 milhões de euros no primeiro semestre de 2026

O investimento em hotéis em Portugal somou 508 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, mais 54% do que no mesmo período de 2025

Os dados constam do relatório Tourism Portugal Spotlight H1 2026, elaborado pela Savills Portugal com referência ao primeiro semestre do ano. Ao longo de todo o semestre, três operações, a aquisição do Corinthia Lisbon, do Penha Longa e do InterContinental Porto, somaram 350 milhões de euros, o equivalente a 68% do semestre.

Capital estrangeiro domina negócios
Numa leitura alargada a 18 meses, entre janeiro de 2025 e junho de 2026, o setor hoteleiro português recebeu 1.003,1 milhões de euros em 19 transações, uma média de 52,8 milhões de euros por negócio. Reino Unido, França e Espanha foram os principais países investidores neste período.

Do lado do investimento, a Grande Lisboa concentrou 312 milhões de euros, 61% do total nacional do semestre, seguida da região Norte com 111 milhões de euros, 22% do total. O Alentejo recebeu 70 milhões de euros, 14% do total e o Algarve, 15 milhões de euros, 3% do total nacional.

"Fechámos meio ano de investimento hoteleiro acima do total de 2025, com 95,6% do capital de origem estrangeira. Os indicadores operacionais revelam uma ligeira contenção, mas o período analisado não inclui os meses de maior afluência - e, com os hóspedes a crescerem acima das dormidas, o que observamos é uma alteração no padrão de estadia, não um enfraquecimento da procura", afirma Alexandra Portugal Gomes, Head of Research da Savills Portugal.

Do lado da procura, entre janeiro e maio a taxa de ocupação nacional recuou 1,1 pontos percentuais, para 58,7%, enquanto o RevPAR cresceu 1,3%, para 63,9 euros. As dormidas totalizaram 28,74 milhões, mais 1,5% do que no mesmo período de 2025, mas o número de hóspedes cresceu a um ritmo mais acelerado, 2,4%.

Os resultados entre janeiro e maio de 2026, demonstram que o RevPAR recuou na Grande Lisboa (-3,6%, para 95,8 euros) e no Norte (-1,1%, para 35,8 euros), com a ocupação a manter-se estável na capital, nos 68,0%, e a fixar-se nos 42,7% no Norte. O Algarve registou um crescimento de 3,8% no RevPAR, para 50,3 euros, ainda que a ocupação tenha caído 3,9 p.p., para 53,2%.

A Madeira apresenta o melhor desempenho operacional do país, com 89,8 euros de RevPAR e a taxa de ocupação mais elevada de todas as regiões - alcançados antes dos meses de maior afluência e com o crescimento mais rápido entre todas as geografias.

Pedro Simões, Senior Consultant, Capital Markets, conclui: “Três operações concentraram cerca de 70% do volume do semestre. O recorde não traduz um alargamento da base de transações, mas a própria natureza do mercado português; poucos negócios, de grande dimensão.

A maioria dos ativos em comercialização fica abaixo do ticket mínimo exigido pelos grandes fundos internacionais. Este semestre dá sinais de mudança, com a chegada ao mercado de produto de escala verdadeiramente institucional, e é esse o sinal mais relevante de 2026. Portugal está a provar ser um mercado credível, capaz de acomodar ciclos completos de investimento e operações de maior dimensão.”

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