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Savills antecipa retoma do investimento imobiliário global após adiamento de transações

Conflito no Médio Oriente travou decisões no primeiro trimestre, mas a Savills antecipa um aumento de 18% no volume de transações em preparação no segundo trimestre de 2026, face aos primeiros três meses do ano

Os dados globais da Savills indicam que o abrandamento recente das transações de imobiliário comercial resulta sobretudo de decisões de investimento colocadas em pausa e não de uma quebra estrutural da procura. O imobiliário continua a gerar rendimento e a diversificar risco, o que ajuda a explicar o seu peso nas carteiras dos investidores institucionais.

Nos primeiros meses de 2026, o mercado apontava para um aumento das transações em imobiliário comercial, suportado pela recuperação de confiança observada na segunda metade de 2025. O agravamento da situação no Médio Oriente, no final de fevereiro, introduziu nova incerteza e um choque de oferta através da subida dos preços da energia, com impacto nas expectativas de inflação, taxas de juro e crescimento económico.

Em março, em vários mercados, as decisões de investimento abrandaram e ganhou força a perceção de que a atividade transacional estava em pausa. A análise da Savills mostra, porém, que os números contam uma história diferente e apontam sobretudo para operações adiadas, não para um colapso do pipeline de investimento.

A consultora enquadra este movimento num período mais longo de “grande volatilidade”, que tem marcado o início da década e em que a relação entre economia real, mercados financeiros e política monetária se tornou menos previsível. A sucessão de choques, da pandemia de Covid 19 à invasão da Ucrânia, passando pela imposição de novas tarifas às importações nos Estados Unidos e, mais recentemente, o conflito no Irão, alterou pressupostos clássicos de correlação entre ativos e ciclos económicos.

Neste contexto, a Savills identifica uma maior propensão dos investidores para se manterem ativos mesmo em fases de volatilidade elevada. Em vez de um afastamento puro e simples do mercado, ganha peso uma gestão mais dinâmica do risco e uma recalibração de preços, expectativas de rendibilidade e estruturação das operações.

Imobiliário mantém atratividade e resiliência
Apesar de ser uma classe de ativos ligada ao ciclo do PIB, o imobiliário mantém um conjunto de características que lhe conferem resiliência no atual contexto. Trata-se de um ativo tangível e escasso, em que os fluxos de rendimento gerados pelas rendas podem permanecer relativamente estáveis mesmo quando os valores de capital evidenciam maior volatilidade.

O imobiliário continua a gerar rendimento e a ajudar a diversificar risco, pelo que se mantém como uma classe de ativos central nas carteiras institucionais. A sua correlação historicamente baixa com outras classes, em particular com as ações, ganha importância num momento em que ações e obrigações têm reagido de forma mais alinhada.

Perspetivas para 2026
A Savills caracteriza o padrão recente como uma fase de “recalibração” do mercado, em que investidores e financiadores ajustam preços, expectativas de retorno e condições de financiamento, em vez de retirarem capital do sector. Os fatores necessários para uma recuperação da atividade permanecem presentes, ainda que com horizontes temporais mais longos do que os antecipados no início do ano.
Com base no consenso de mercado quanto à duração do conflito no Médio Oriente e na análise interna das operações em curso, a Savills aponta para um potencial aumento de cerca de 18% nas transações pendentes já no segundo trimestre de 2026, face ao trimestre anterior.
A consultora considera que um período de maior estabilidade relativa será suficiente para reativar uma parte significativa do investimento que se encontra atualmente em espera.

Este comunicado baseia se no artigo Delayed not destroyed. Real estate retains its strengths despite geopolitical events, da autoria de Oliver Salmon, Director de World Research, Global Capital Markets na Savills, publicado na plataforma Savills Impacts.

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