O mercado de Purpose-Built Student Accommodation (PBSA) em Portugal afirmou-se nos últimos anos como um dos segmentos mais dinâmicos do imobiliário comercial. Entre 2019 e 2025, o investimento em residências para estudantes atingiu 1,2 mil milhões de euros. Do montante total, cerca de 942 milhões de euros corresponderam à venda de portfolios, sobretudo de ativos já operacionais.
Apesar deste volume de capital, a capacidade instalada continua limitada. Portugal dispõe de 26 000 camas em residências para estudantes. Cerca de metade está integrada em residências de universidades e institutos, e a restante em projetos privados de PBSA. Este número traduz-se numa taxa de cobertura de 5,80% a nível nacional, deixando o país atrás de outros mercados europeus. No Reino Unido, por exemplo, a oferta em residências chega a 30,9% dos estudantes, e na Suécia a 20,4%.
Dominic Orchard, Director, Savills OCM, comenta: “De acordo com o nosso inquérito a investidores de 2026, o PBSA continua a ser o setor mais procurado no segmento europeu de Operational Real Estate (OpRE) pelo segundo ano consecutivo. Portugal tornou-se um dos mercados mais atrativos para investidores em residências de estudantes e esperamos que a região continue a reforçar a sua posição, tendo em conta os fundamentos de oferta e procura e os níveis de yield atualmente disponíveis no mercado.”
O mercado das residências de estudantes em Portugal é hoje liderado por investidores europeus, que trazem para o país a experiência acumulada em mercados como o Reino Unido, a Alemanha ou os Países Baixos. Nos últimos anos, tem também crescido o peso de investidores com um perfil mais conservador, focados em ativos estabilizados com elevadas taxas e ocupação.
Procura em alta e pressão nas cidades universitárias
Do lado da procura, os números continuam a crescer. No ano letivo de 2024/2025, Portugal tinha 456 032 estudantes do ensino superior, mais 1,74% do que no ano anterior. Nesse mesmo ano, 80 065 estudantes eram internacionais, o que representa um aumento de 3,35% face a 2023/2024.
Portugal passou a contar com seis escolas de negócios entre as 100 melhores da Europa no ranking European Business Schools do Financial Times, o que aumenta a visibilidade internacional do país e contribui para o crescimento do número de estudantes estrangeiros e da procura de alojamento.
É nas principais cidades universitárias, como Lisboa, Porto e Coimbra, que esta pressão se torna mais visível. As residências apresentam níveis de ocupação muito elevados e as rendas continuam a subir. Ao mesmo tempo, o mercado de arrendamento tradicional dispõe de cada vez menos T1 e estúdios a preços compatíveis com o orçamento dos estudantes. Muitos jovens acabam por competir pelas mesmas casas que profissionais em início de carreira ou famílias, dificultando o acesso a soluções adequadas e acessíveis.
Nova vaga de investimento e crescimento da oferta
Apesar do contexto desafiante, o pipeline mostra que o mercado continua em expansão. Os projetos atualmente em carteira apontam para a criação de cerca de 2 000 novas camas em residências privadas para estudantes entre 2026 e 2027. Mesmo assim, o ritmo de expansão continua aquém do necessário para acompanhar a procura crescente de alojamento estudantil em Portugal.
Lisboa e Porto concentram uma parte significativa dessa nova oferta. Lisboa conta hoje com mais de 4 500 camas em residências privadas, às quais se deverão juntar mais de 1 000 previstas para 2025/2026. No Porto, já existem mais de 5 400 camas operacionais e estão planeadas cerca de 1 600 adicionais nos próximos anos.
Do lado dos operadores, o mercado é dominado por alguns grandes grupos internacionais. A Livensa Living mantém-se como o maior operador de residências para estudantes em Portugal. Seguem-lhe a Xior, a MiCampus e a LIV Student, que têm vindo a expandir a sua oferta e a consolidar presença no território nacional.
A nova vaga de residências estudantis traz consigo modelos de gestão e padrões de serviço alinhados com o que já se pratica nas principais capitais europeias. Salas de estudo, ginásios, cozinhas partilhadas, lavandarias, áreas de convívio e segurança 24 horas deixaram de ser vistos como “extras” e tornaram-se requisitos mínimos, especialmente para estudantes internacionais, que representam uma fatia crescente da procura.
Notícias da Savills
Investimento em residências de estudantes em Portugal soma 1,2 mil milhões de euros entre 2019 e 2025
O mercado de residências para estudantes em Portugal atingiu um volume recorde de investimento, mas continua a evidenciar um défice estrutural de oferta, sobretudo nas principais cidades universitárias, segundo o relatório da Savills “The Evolution of Purpose‑Built Student Accommodation in Portugal”.