Como consequência natural deste progresso, abre-se discussão ao potencial do teletrabalho mas, na maioria das empresas, sem grandes resultados práticos. Hoje, no meio de uma pandemia que está a afetar o mundo, vemo-nos obrigados a teletrabalhar e a aderir de um dia para o outro a este modus operandi que tem sido alvo de inúmeras opiniões.
Depois de vários estudos nacionais e internacionais sobre teletrabalho, sendo agora uma prática forçada, chegamos à conclusão que até pode funcionar, mas - e sublinho o mas – existe o revés da medalha, a falta de contacto entre as pessoas, aquilo que nos une enquanto seres humanos: socializar, vermos caras. Na verdade não podemos olhar só para o lado prático desta tendência, temos de perceber que não somos máquinas, por muito que a evolução tecnológica nos possa influenciar, somos acima de tudo humanos.
A razão pela qual chamei a este artigo "Fit Out should Fit In" é precisamente porque não há uma fórmula exata. É acima de tudo importante conhecermos devidamente quais são as prioridades da nossa organização e enquadrar as tendências do mercado e não querer à força que as tendências se encaixem nas nossas necessidades. São erros do passado que não se devem repetir.
Deixo algumas recomendações, de acordo com o que temos experienciado ao longo dos últimos meses, que espero poderem apoiar num melhor discernimento das decisões a tomar.
Aceitar e abraçar a tecnologia, é um must have em qualquer organização. A tecnologia nasceu para tirarmos o máximo proveito dela, sendo imprescindível apostar na formação e no apoio de técnicos especializados. É também fundamental não tomar decisões precipitadas.
Neste enquadramento salvaguardem a maior segurança dos utilizadores, adotando sistemas de tecnologia Touchless, como por exemplo a monitorização através de aplicações para controlo de acessos e check in.
Definir uma estratégia e política de teletrabalho é a maior prioridade para se conseguir encontrar um equilíbrio para interação entre os colaboradores. A produtividade e sucesso dos processos dependem dessa mistura perfeita entre a necessidade do indivíduo e necessidade do grupo, sendo um fato à medida para cada empresa.
Apostem na mobilidade, o trabalho remoto dentro ou fora do espaço de trabalho pode proporcionar diferentes ambientes e ajudar os colaboradores a encontrar a melhor zona para laborar. É neste ponto que o processo de Change Management pode ditar e orientar as decisões da empresa, sendo imprescindível incluir as opiniões dos colaboradores para entender as suas zonas de conforto e potenciar desta forma a criatividade e consecutivamente a retenção de talento.
Por fim e não menos importante, devemos liderar com consistência. Pode não estar diretamente ligado ao espaço, mas é o caminho para o bem-estar dos colaboradores. Uma organização mais atenta e comunicativa cria confiança e conforto. Se por alguma razão a maioria dos colaboradores da Savills ficou satisfeita pelo regresso ao escritório foi devido a uma excelente e constante comunicação por parte da direção geral.
No nosso Webinar de Workplace Revelation, em que tivemos a oportunidade de contar com excelentes oradores, Henrique Pulido, Diretor de Recursos Humanos da Brisa, dizia "a Covid-19 é um mundo de oportunidades para a gestão de pessoas (...) uma delícia para os grandes líderes”.
Este é o momento para olhar para dentro das nossas organizações e, como se diz na gíria, "baralhar e voltar a dar".