Notícias da Savills

Desenhar o Futuro do Trabalho

Vários foram os acontecimentos globais, cujo impacto no futuro conseguimos facilmente reconhecer. A Revolução Industrial modificou a forma de trabalhar, assim como a Revolução Digital o fez e está a fazer, através da automatização, robótica e Inteligência Artificial. Mesmo numa profissão com elevada componente criativa, como a arquitectura, estima-se que cerca de 20% das tarefas já podem ser automatizadas.

Perceber o passado e tentar desenhar o futuro, é o trabalho do arquitecto de hoje, definindo cada estágio desta evolução e em que tendências se deve suportar o design dos espaços de trabalho. Muito embora, as tendências já estivessem a apontar o caminho, os mais recentes acontecimentos relacionados com a pandemia mundial anteciparam o que hoje reconhecemos como o espaço de trabalho do futuro.

Neste sentido, os espaços terão que ser repensados e reconfigurados, permitindo flexibilidade na sua utilização, tendo também em conta o acréscimo do trabalho remoto. As métricas de design mudaram o seu foco, deixando de ser centradas nas pessoas e passando a ser centradas na interação entre pessoas e, desta forma, começamos a compreender os escritórios como Social Hubs, em vez de espaços de produção de trabalho. Esta última definição também assenta no facto de que, as tarefas individuais e que requerem mais concentração poderão ser feitas remotamente, enquanto as atividades de interação em grupo, como reuniões, sessões de brainstroming, desenvolvimento de projetos, devem ser promovidas nos escritórios.

Os escritórios devem continuar a aprender e a evoluir com base em outros conceitos de trabalho remoto - veja-se o exemplo da intitulada gig economy, que engloba profissionais independentes, temporários ou em regimes de afetação por projetos de curto prazo, que trabalham remotamente desde qualquer parte do mundo - da mesma forma que as pessoas precisam do escritório para aprender a trabalhar e a interagir e, as empresas precisam dos seus espaços para manter a cultura corporativa viva.

O espaço de trabalho do futuro será com certeza evolutivo, sustentado em políticas compreensivas baseadas na localização, função e produtividade e em que o bem-estar dos colaboradores é um foco cada vez mais importante.

É verdade que passamos por momentos complicados, mas é agora que é fundamental estarmos focados no futuro e, o desafio do arquitecto é exatamente perceber a oportunidade de mudança, de forma a que a retenção de talento seja um facto e não uma aspiração, apenas alcançável pelas organizações mais avançadas.

Se entretanto se distraiu a ler estas palavras, ainda tenho mais uma coisa para lhe dizer: o futuro é agora.

Recommended articles