Notícias da Savills

Valorizar a proximidade

Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills, em entrevista à Revista Human

A Savills, uma consultora imobiliária global, opera em Portugal há mais de 20 anos, «com uma equipa experiente no mercado imobiliário, na prestação de serviços imobiliários em todas as suas vertentes», como assinala Patrícia de Melo e Liz, a ‘chief executive officer’ (CEO) no nosso país, salientando ainda: «Iniciámos a nossa atividade no ano de 1998, como empresa local, e tornámo-nos uma empresa internacional em 2007.»

No caso da situação de pandemia que atravessamos, a responsável diz que olharam «mais para a solução do que para o problema». Ou seja: «Não baixar os braços, estar em comunicação estreita com a equipa, ser transparente na abordagem a todos os desafios que se nos colocam e pro- curando de forma criativa encontrar formas de nos manter- mos próximos dos nossos clientes, sobretudo com o propósito de os ajudarmos a sair de toda esta situação.»

O trabalho remoto acabou por não trazer «nada de rele- vante», diz, porque já tinham a empresa preparada tecnicamente para isso. «Embora não tivéssemos ainda experienciado ter a empresa totalmente em modo remoto, já dávamos a possibilidade e ferramentas à nossa equipa para que pudesse trabalhar remotamente sempre que se justificasse. Isso permitiu estar em modo remoto quase instantaneamente.» Nestes tempos, privilegiaram manter as pessoas informadas em vários aspetos, mas sobretudo nas decisões que vão sendo tomadas. Patrícia de Melo e Liz assinala: «Conforme referi, a comunicação estreita, dizer sempre a verdade e ser coerente é fundamental. Nas crises, e já passámos por duas, importa saber que queixarmo-nos não resolve, resolve sim entender onde está a oportunidade, para onde devemos caminhar e como nos devemos entreajudar, as equipas que se ajudam mutuamente, que não colocam a cabeça na areia, motivam-se com mais facilidade, até porque é com esta atitude que os resultados começam a aparecer, e aí torna-se tudo mais fácil. Por outro lado, a nossa equipa sabe que a Direção Geral é a última a abandonar o barco, a principal forma de motivar é transmitir confiança e dar o exemplo, é ser ponderado nas decisões e manter alguma calma quando todos estão em pânico. Mas não uma calma desconcertante e silenciosa, em vez disso uma calma dialogante que possa serenar muitas emoções fortes e antagónicas que naturalmente surgem nestes tempos de dificuldade. Deixo o exemplo de duas frases que considero fundamentais e que passámos a toda a nossa equipa na primeira das nossas comunicações semanais em tempos de pandemia: ‘Serenidade não significa irresponsabilidade, significa a procura concreta de agir com assertividade.’ e ‘Lembrem-se de que estamos aqui para todos vós.’»

O regresso

A 20 de abril aconteceu o regresso ao escritório, ou seja, só encerraram durante três semanas, na altura mais crítica do estado de emergência. A CEO explica: «Retomámos com a equipa administrativa e alguns elementos que pudessem preparar o espaço para o regresso de 25% da equipa a 27 de abril. Reforçámos o plano de contingência que havíamos preparado logo no dia 13 de março, altura em que decidi- mos manter o escritório aberto com 60% das pessoas e as restantes em trabalho remoto, isso permitiu-nos ir reduzindo o número de pessoas no escritório paulatinamente e de forma muito ordenada e ao mesmo tempo gerir de perto as preocupações de todos. Por outro lado, assegurámos que todos aqueles que pudessem ter estado em contacto com alguém contaminado ou que tinham pessoas consideradas de risco ficassem em casa. Entre outras medidas de higiene, distanciamento, controlo de temperatura, etc, disponibilizámos de imediato os carros da empresa (em sistema de ‘carpool’) para que ninguém tivesse de usar transportes públicos. Foi um trabalho muito minucioso que exigiu mais daquele a que chamamos o Grupo de Emergência e na realidade de toda a equipa. Mas valeu a pena, pois acabou por facilitar o regresso. Neste momento estamos no processo in- verso no que toca ao ritmo da rotatividade, iniciámos com 25% da equipa em escritório em sistema de rotatividade, passámos a 35% e a partir de 1 de junho passaremos a ter 50% de permanência no escritório, porque o nosso espaço o permite com toda a segurança.»
Nas práticas de recursos humanos da empresa, sobretudo nos últimos tempos, Patrícia de Melo e Liz destaca a proximidade. «Proximidade, proximidade, proximidade…», enfatiza. «Em tempos em que tivemos que distanciar-nos socialmente, o esforço de proximidade tomou uma importância ainda maior. Nós temos políticas de proximidade, de reconhecimento do lugar e da importância de cada elemento da nossa equipa já muito enraizadas, e pelo bom relacionamento entre toda a equipa, pelo ‘feedback’ claro e regular que as direções dão aos seus colegas e pela identificação concreta do papel de cada um na empresa serem sentidos por quem se junta à equipa Savills, acreditamos que estamos a fazer algum trabalho nesse campo e no sentimento de orgulho por quem connosco trabalha. Não há nada melhor do que fazer sentir em lugar de dizer, é mais consistente e não corre o risco de cair no esquecimento. Isso não significa que o nosso Departamento de Marketing e o nosso Departamento de Recursos Humanos não tivessem feito semanalmente ações de aproximação, enviando pequenos desafios, dicas para trabalhar a partir de casa, vídeos de bons momentos que a equipa já passou para manter o ânimo e a força anímica que tanto valorizamos.»

 

Fonte: Revista Human, edição nº 125, Maio e Junho de 2020.

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