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Savills prepara-se para dar a volta à curva em U e não em V que aí vem

Entrevista de Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Portugal ao Dinheiro Vivo.

A Savills considera que "ainda é cedo" para se falar em descida de preços no setor imobiliário português.

O primeiro semestre deste ano será como “embatermos fortemente num muro quando íamos a uma velocidade significativa”, como um “carro virado do avesso que tenta agora encontrar a forma de voltar a virar-se na direção certa”. Esta descrição do embate da pandemia do novo coronavírus na economia e no setor imobiliário é de Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills, que alerta para uma recuperação “que se avizinha em U e não tanto em V como se chegou a falar no início de toda esta situação de emergência”.

Na opinião da responsável, a retoma da atividade económica, ainda que aconteça durante este ano, “não chegará nem próximo dos níveis a que estávamos a assistir”. Como adianta, “2020 estava a decorrer de uma forma excecional, em linha com as projeções que havíamos feito”. O investimento imobiliário rondava já os 1,5 mil milhões de euros, “uma produção verdadeiramente excecional, se tivermos em linha de conta que o volume anual nos últimos dois anos andou ligeiramente acima dos 3 mil milhões”, sublinha.

Em curso, estavam também um conjunto de negócios para serem concretizados nestes próximos meses. Com a execução do Estado de Emergência, “concluiu-se o que já estava contratado e projetado para o período decorrido e registou-se uma quebra significativa no ciclo de novos negócios que se encontravam em desenvolvimento”, revela Patrícia de Melo e Liz.

Queda nos preços? A ver

Neste período, a Savills não registou aumentos de visitas virtuais, mas contabilizaram-se sempre novos contactos e, na última semana, até já se verificou um aumento. Os proprietários mantêm as intenções de venda mas, para já, “ainda é cedo para se falar em queda de preços”, embora possa “possa haver algum ajustamento dependendo dos volumes de venda que se venham a registar quando se regressar à normalidade”.

Apesar de todos condicionalismos do período a que se assiste, a Savills tem vários departamentos a trabalhar em linha com o passado. Como refere a CEO da agência imobiliária, as atividades não transacionáveis como a arquitetura (com maior controlo sanitário, planos rigorosos de acesso às obras, medições de temperatura, distanciamento obrigatório entre o pessoal na obra, número limitado de colaboradores em espaços fechados …), consultoria ou avaliações e gestão de imóveis “continuam com um nível de trabalho elevado”. As restantes equipas estão em trabalho remoto.

 

Fonte: Dinheiro Vivo de 21 de Abril de 2020

 

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