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Trabalho flexível e novas motivações geracionais ditam mudanças nos espaços de trabalho

  • 43% dos colaboradores gostaria de trabalhar no centro da cidade;
  • Apenas 13% gostaria de trabalhar num regime de Hotdesk;
  • 23,9% dos colaboradores gostaria de poder trabalhar a partir de casa;
  • 48% dos colaboradores declara que a cultura da sua empresa atual os incentiva ao trabalho flexível no dia-a-dia;
  • 34% afirmou que gostaria de gastar menos 15 minutos no seu percurso diário (em cada sentido).

 

A Savills apresentou ontem, no Hub Criativo do Beato, em Lisboa, a primeira edição do seu mais recente estudo “What Workers Want”, com o objetivo de dar a conhecer as tendências que motivam o mercado de escritórios e como estas se encontram relacionadas com o espaço e design utilizados.

Atualmente é primordial “que se conheçam os colaboradores e que se compreendam os seus comportamentos, as suas motivações, as necessidades e exigências ao nível do bem-estar. Ouvir quem trabalha connosco é de extrema importância”, realçou Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Portugal. “A forma como as próximas gerações concebem o seu trabalho vai, claramente, ter cada vez mais impacto nas decisões referentes a espaços imobiliários”, acrescentou a responsável.

Num evento cuja sessão de abertura ficou a cargo de Patrícia de Melo e Liz e de Joana Rodrigues, Architecture Director da empresa, foram ainda convidados como speakers José Mota Leal, Project Manager da Startup Lisboa, João Pedro Tavares, Presidente da ACEGE, que abordou o tema da Conciliação Família vs. Trabalho e Henrique Pulido, Diretor de Recursos Humanos da Brisa, que deu a sua perspetiva sobre o tema.

“Na sua maioria, as chefias e direções desconhecem as necessidades das suas equipas. Por outro lado, muitos dos colaboradores não estão devidamente envolvidos e integrados na organização que representam. De acordo com um estudo americano, 7 em cada 10 pessoas não se sentem comprometidas na empresa onde trabalham. Queremos, com este estudo, inspirar e apoiar todos os líderes e CEO’s na preparação do futuro espaço de trabalho que absorvam novos ideais”, destacou Joana Rodrigues, Architecture Director da Savills Portugal.

No evento marcaram ainda presença Mike Barnes, Research Department da Savills Europa, e Alexandra Portugal Gomes, Research Department da Savills Portugal, que tiveram a oportunidade de apresentar os resultados do estudo What Workers Want na Europa e em Portugal, respetivamente; Odile Beranger, Concept Designer da Interface Espanha e Portugal, que abordou, sobretudo, a questão da Biofilia no local de trabalho; Dan Gardner, Workplace Analyst da KKS Savills, que apresentou as tendências do espaço de trabalho do futuro, e ainda Nuno Fideles, Arquiteto da Savills Portugal com a acreditação BREEAM AP, que abordou a questão da sustentabilidade na arquitetura e como este método internacional de certificação ambiental pode marcar a diferença na construção e reabilitação no imobiliário.

Neste contexto foi apresentada a primeira edição do estudo“What Workers Want Portugal”, especialmente dedicada ao conhecimento das principais tendências que motivam o mercado imobiliário português. Neste estudo desenvolvido pela Savills foram inquiridos 1.005 colaboradores de diversas empresas no nosso país, com o objetivo de revelar as tendências que motivam o mercado de escritórios e como estas se encontram relacionadas com o espaço e design utilizados.

Conforme comenta Alexandra Portugal Gomes, Senior Analyst, Research Department da Savills Portugal: “Os espaços dos escritórios estão a transformar-se ao mesmo tempo que as novas motivações geracionais também se encontram em processo de mudança. Passou a existir uma necessidade de se estimular a criatividade e de se incentivar o trabalho em grupo.”

Segundo o estudo da Savills, 55% dos colaboradores trabalham em open space e 40% em salas e/ou escritórios fechados. Apurou-se que o ruído é um fator que não tem um impacto negativo, sendo que algumas empresas já implementaram espaços de trabalho comuns para alguns setores de atividade. Porém, devido à natureza do seu trabalho, existem outras que optam ainda por trabalhar num ambiente de escritório individual.

Tendo em conta os resultados obtidos, 43% dos colaboradores gostariam de trabalhar no centro da cidade e 22% nos arredores da cidade. Estes resultados suportam a necessidade de se desenvolverem projetos no centro da cidade, onde a maior percentagem de mão-de-obra qualificada se encontra concentrada, facilitando o recrutamento.

A realidade atual é que a localização é um dos fatores mais importantes no momento da candidatura a uma oferta de emprego: 50% dos colaboradores inquiridos refere que a localização está no topo da lista, quandoquestionados sobre o que consideram mais importante para a aceitação de um emprego. “O salário deixou de estar em primeiro plano. Apenas temos a verdadeira perceção destes dados quando se realizam este tipo de inquéritos”, acrescenta Alexandra Portugal Gomes.

Por outro lado, 36% dos colaboradores das empresas preferem trabalhar na sua própria secretária ou num espaço destinado para cada funcionário. Apenas 13% gostaria de optar por um regime de Hotdesk. Esta opção gera sentimentos mistos entre colaboradores, uma vez que 34% acredita ser um espaço de partilha, 46% afirma que pode aumentar a produtividade e 29% acredita que não tem qualquer impacto.

É inegável que um espaço Hotdesk é uma excelente solução de otimização de espaços subaproveitados ao longo do dia, mas também pode provocar um sentimento de não pertença e, com isto, afetar a produtividade e o bem-estar emocional dos colaboradores.

Em 2019, uma das grandes tendências apuradas é a preferência por trabalhar a partir de casa, sendo que 23,9% dos colaboradores questionados afirma que gostaria de poder trabalhar a partir de casa. No entanto, apenas 14% tem a oportunidade de o fazer, sendo que 55% são mulheres.

A constante introdução de novas tecnologias criou condições para o surgimento de novas formas de trabalho. Em Portugal, trabalhar a partir de casa ainda não é uma realidade para a maioria dos colaboradores. De acordo com dados do Eurofund (2017), apenas 2% da população nacional encontrava-se neste regime de forma regular. Contudo, para determinadas atividades é um método que pode ser considerado pouco atraente, sobretudo em setores onde é necessária uma gestão mais tradicional e um controle mais direto.

“Passamos 2/3 do nosso tempo a trabalhar, por isso é tão importante conservar o talento, o local de trabalho, a liderança. Estima-se que dentro de 20 anos (Geração Z), a grande percentagem de colaboradores trabalhe a partir de casa e com um horário de trabalho muito flexível”, acrescenta João Pedro Tavares, Presidente da ACEGE.

Quando questionados sobre se a cultura da sua empresa incentiva a produtividade e se o acesso à tecnologia facilita a flexibilidade no trabalho, 48% dos colaboradores declara que a sua empresa os incentiva, no dia-a-dia, à flexibilidade no trabalho. Este indicador sugere que um ambiente de trabalho mais flexível é já uma realidade para muitas empresas.

Um ambiente de trabalho mais flexível tem, obrigatoriamente, um impacto no setor imobiliário, influenciando o tradicional relacionamento entre proprietários e ocupantes. Os espaços de trabalho coletivo forneceram às empresas uma opção mais flexível e acessível.

Em resposta à questão: Se pudesse, o que mudaria no seu atual local de trabalho? 19,5% dos colaboradores assume que mudaria o seu espaço de trabalho pessoal, 14,8% a gerência e 13,1% a duração do deslocamento.

Por outro lado, e no que se refere ao planeamento adequado do espaço do escritório e se este contribui para o sucesso da organização, 28,7% dos colaboradores afirma não ter qualquer controle sobre o layout da sua área de trabalho e 33,9% têm uma postura neutra sobre esse assunto. O estudo também revelou que 53,5% dos inquiridos gostaria de ter controlo sobre seu espaço de trabalho e 50,2% afirma que o seu empregador atual nunca lhe pediu uma opinião sobre o layout do escritório.

O espaço ideal começa por satisfazer e garantir as necessidades básicas de conforto dos colaboradores. “Manter a limpeza, o conforto na área de trabalho, a qualidade da temperatura e a iluminação foram alguns dos fatores apontados pelos colaboradores das empresas como os mais importantes. Estes dados são surpreendentes, visto que garantir que os colaboradores tenham os níveis básicos de conforto deveria ser uma obrigação não questionável, dando lugar agora a outros fatores”, afirma Alexandra Portugal Gomes.

A limpeza do espaço é considerado o fator mais importante (93%), sendo que apenas 65% dos colaboradores afirmaram que se encontravam satisfeitos com a limpeza do seu escritório.

No que diz respeito à mobilidade, 34% afirmou que gostaria de gastar menos 15 minutos no seu percurso diário (em cada sentido) para a empresa e 29% somaria 15 minutos, se isso implicasse trabalhar no seu escritório ideal. Somente os colaboradores, com idades entre os 18 e os 24 anos (28%) estariam dispostos a adicionar 30 minutos para trabalhar no seu escritório perfeito. Já 11% comenta não querer adicionar nenhum tempo à sua deslocação, mesmo que isso implique trabalhar num escritório melhor.

“As percentagens mostram que não há muito espaço de manobra em relação ao fator localização. O mercado de escritórios em Lisboa tem, atualmente, taxas de disponibilidade quase nulas no centro da cidade, o que reduz significativamente a escolha das empresas. No entanto, o mercado ganhou alguns movimentos de migração de negócios para outras áreas de mercado, o que acontece pelo facto de Lisboa ser uma cidade com uma rede de transportes completa, fator que facilita a mobilidade”, refere Alexandra Portugal Gomes, Senior Analyst, Research Department da Savills Portugal.

INVESTIMENTO NA FELICIDADE

As novas gerações estão a transformar a noção de bem-estar, fazendo com que as empresas alarguem os seus horizontes e considerem novas estratégias neste domínio. O impacto da felicidade dos colaboradores nas empresas é um tema cada vez mais presente nas agendas das organizações. “Sem dúvida que a produtividade corporativa está intrinsecamente ligada aos níveis de bem-estar e à satisfação daqueles que fazem parte da empresa: os seus comentários, ideias e sugestões devem ser ouvidos pelos diretores, a fim de aumentar a felicidade e o reconhecimento. Tentamos sempre que os nossos colaboradores vivam de forma mais ampla e que criem uma relação de confiança com a empresa onde trabalham”, comentou Henrique Pulido, Diretor de Recursos Humanos da Brisa.

Tendo em conta estes fatores, 55% dos colaboradores ​apresentam-se satisfeitos no seu local de trabalho, 34% apresentam uma opinião neutra e 11% não estão de todo satisfeitos.

Estes são resultados encorajadores, embora a percentagem de respostas neutras revele que ainda existem muitas melhorias a ser feitas neste domínio.

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