A Savills Portugal apresenta a evolução do mercado de escritórios de Lisboa e do Porto. Em 2018 Lisboa bateu recordes, ao mesmo tempo que o Porto apresentou resultados muito satisfatórios.
Lisboa
No que se refere à capital, o Mercado de Escritórios de Lisboa bateu novo recorde pelo segundo ano consecutivo. No final de 2018, foram ocupados 206.428 m2 de espaços de escritórios, tendo sido verificado um aumento de 24% comparativamente ao ano transato e uma recuperação total face aos valores históricos observados nos anos 2007 e 2008.
“A recuperação do mercado ocupacional, com início em 2014, traduz um nível de procura elevado, no qual os grandes ocupantes começam a ter um peso muito importante e a contribuir igualmente para o prestígio da cidade de Lisboa no contexto internacional”, refere Alexandra Gomes, Senior Analyst do departamento de Research da Savills Portugal.
Em 2018, empresas como a Teleperformance e a Google foram algumas das entidades responsáveis pelas maiores operações registadas no mercado de escritórios de Lisboa. “A contínua evolução de Lisboa como destino turístico a par dos inúmeros fatores de atratividade e competitividade oferecidos comparativamente a outras capitais europeias, tem sido fundamental para aumentar a perceção de Lisboa como destino ideal para a implantação de sedes de grandes ocupantes internacionais, tendo por isso sido a cidade eleita para iniciar a abertura de novas empresas”, comenta a responsável.
As rendas em Lisboa mantiveram-se em tendência de subida ao longo de 2018, com a renda prime a atingir os 21€/m2/mês. Comparativamente a outras cidades europeias, o mercado de escritórios de Lisboa oferece os valores de rendas mais competitivos, demonstrando margem de crescimento para os próximos anos. A entrada de novos projetos de elevada qualidade nos próximos dois a três anos fará elevar as rendas prime, que poderão atingir os 25€/m2/mês.
Para 2019, a grande tendência do Mercado de Escritórios de Lisboa estará na renegociação de espaços e transações de pré-arrendamento. Serão as principais tendências a observar, “num ano que se prevê marcado por uma quebra inevitável no volume de absorção perante uma oferta que irá manter-se escassa ao longo do ano. A falta de oferta nova e a necessidade urgente de mudança de espaço tem motivado o surgimento de duas tendências: por um lado, as empresas acabam por optar por instalações mais obsoletas, apostando em ligeiras intervenções que adequem melhor o espaço aos seus requisitos de ocupação. Por outro lado, alguns proprietários de edifícios apostam no reposicionamento e modernização dos seus edifícios para receberem novos inquilinos”, conclui Alexandra Gomes.
Porto
No que se refere à cidade invicta, em 2018, o mercado de escritórios registou mais de 40 operações num volume de absorção aproximado de 80.000 m2. A elevada procura por parte de empresas multinacionais e grandes ocupantes tem sido a principal responsável pela subida nos valores de absorção, que se prevê aumentarem ao longo de 2019.
Alexandra refere ainda que “os diversos projetos de reabilitação e requalificação de edifícios antigos têm exercido um papel fundamental no incremento da oferta disponível de escritórios na cidade do Porto. A estes processos de reabilitação, juntam-se igualmente um conjunto de fatores que conferem à cidade do Porto um grau de atratividade cada vez mais considerável, entre eles o talento qualificado, a presença de várias startups e incubadoras, a localização geográfica estratégica, um mercado turístico em crescimento e o enorme potencial de requalificação de edifícios existentes para novos projetos imobiliários. Destaque para o contributo importante de zonas como Matosinhos, Maia ou Boavista para o mercado de escritórios do Porto”.
A zona de Matosinhos contabilizou 34% do total de volume de ABL ocupado no mercado de escritórios do Porto, com a ocupação do Edifício Urbo por parte do BNP Paribas num total de 15.000 m2 a contribuir significativamente para esse resultado.
No que toca a valores no Porto, as rendas no mercado de escritórios têm registado subidas assentes na procura elevada, justificadas em parte pela melhoria na qualidade dos novos projetos promovidos, atraindo um maior número de ocupantes, muitos deles internacionais. Para 2019, é expectável que o mercado continue a observar um aumento nos valores de renda, ainda que mais ligeiro, sendo explicado pela entrada de novos e modernos projetos, que vão elevar a fasquia do mercado.
São esperados cerca de 10 projetos novos nos próximos anos que representam uma adição de mais de 150.000 m2 de espaços de escritórios, contribuindo para a capacidade de resposta do mercado face a uma procura que se prevê continuar a aumentar. É o caso do Edifício Porto Office Park (POP) com 31.000 m2 previsto para o final do ano 2019, do Edifício Porto Business Plaza na zona Porto Oriental – Campo 24 de Agosto, que irá acrescentar 15.500 m2 de oferta nova e do Palácio dos Correios nos Aliados com 16.800 m2, cuja conclusão também está prevista para 2019.