O relatório, centrado nesta “Grande Transferência de Riqueza” (Great Wealth Transfer), cita estimativas da Capgemini segundo as quais 72 biliões de dólares deverão passar diretamente para herdeiros e 12 biliões para causas filantrópicas. Para identificar os destinos com melhores condições para atrair esta geração, a Savills analisou mais de 100 localizações em todo o mundo através do Savills Next-Generation Wealth Hubs Index.
O índice assenta em quatro pilares: negócios, governação e conectividade; concentração de riqueza e ambiente local; gestão de património e fiscalidade; e estilo de vida. Centra-se na “próxima geração de riqueza” (next-generation wealth), definida como indivíduos com menos de 40 anos que já herdaram um património significativo, estão prestes a beneficiar dessa transferência ou construíram fortuna através de sucesso empresarial.
“Com a passagem da riqueza para uma geração mais jovem, mais móvel a nível internacional e mais ligada ao mundo digital, as prioridades evoluem”, afirma Kelcie Sellers, Associate Director da Savills World Research. “O estilo de vida, a educação, o bem-estar e os valores pessoais influenciam cada vez mais onde estas pessoas escolhem viver, investir e abrir negócio.
Nova Iorque ocupa o primeiro lugar do índice mundial, à frente de Miami, Londres, São Francisco e Los Angeles. Londres, em terceiro lugar, é a primeira da região EMEA e continua a captar investimento internacional graças a um setor de serviços profissionais consolidado, à concentração de riqueza, a escolas e universidades de referência mundial, à oferta cultural e às ligações ao resto do mundo.
A região EMEA reúne mais de metade das 30 principais localizações do índice global, entre centros financeiros, zonas costeiras e estâncias de montanha. A sua força está em juntar estilo de vida e conectividade a condições que permitem proteger a riqueza a longo prazo. Destinos do sul da Europa e dos Alpes, como Gstaad (23.º lugar mundial), Barcelona (26.º) e a Côte d’Azur (28.º), ganham terreno, à medida que a possibilidade de viver no destino durante todo o ano pesa cada vez mais nas escolhas.
Portugal na rota da riqueza global
Portugal está representado no top 30 da região EMEA por Lisboa e Cascais. O país distingue-se pela qualidade de vida e pela oferta de restauração e comércio, com preços mais acessíveis do que outros mercados europeus de referência. Tal como em Espanha, compradores e arrendatários da América Latina sustentam a procura em Portugal, onde os brasileiros têm maior peso. Nos dois países, o arrendamento de imóveis de gama alta permite dividir o tempo entre várias localizações.
A transferência de riqueza entre gerações está a tornar a localização um critério cada vez mais central na gestão de fortunas. Rita Bueri, Head of Residential Lisboa da Savills Portugal, acompanha de perto a procura internacional no mercado residencial português.“Lisboa e Cascais são há muito destinos de eleição para investidores com património elevado, ainda que de forma discreta. Nos últimos anos, a melhoria da oferta imobiliária, uma economia mais sólida, a estabilidade do país face aos focos de tensão geopolítica e a qualidade de vida têm feito de Portugal uma escolha cada vez mais frequente. Ainda temos trabalho a fazer, nomeadamente nos serviços e na simplificação de processos, para corresponder ao nível de exigência destes clientes. Por outro lado, a nossa escala reduzida é um trunfo: permite-nos oferecer exclusividade, num destino que se escolhe pela qualidade e não pela dimensão.”
Kelcie Sellers conclui que “à medida que a riqueza atravessa fronteiras e gerações, o capital tende a tornar-se mais seletivo. A oferta de imóveis prontos a habitar e com todas as comodidades e serviços é limitada, e são estes que deverão manter-se mais resilientes em mercados que garantam estabilidade jurídica, qualidade de vida, privacidade e liquidez de longo prazo”. E acrescenta: “O imobiliário residencial tem hoje de ser mais do que uma forma de proteger património. Tem de responder à forma como as famílias com grandes fortunas querem viver, trabalhar, viajar, manter-se ligadas e planear o futuro.”