O mercado de escritórios em Lisboa fechou o primeiro semestre de 2026 com um volume de absorção total de 66.906 m², menos 20% do que no período homólogo. No Porto, o primeiro semestre fechou nos 19.516 m², mais 80% face ao ano anterior. Os números constam do relatório Office Market Spotlight H1 2026, da Savills Portugal.
Menos área contratada, mais operações fechadas em Lisboa
A procura recuperou no primeiro trimestre, mas o segundo trimestre foi comparado com um período homólogo de 2025 já de si forte, o que levou o semestre a fechar com um decréscimo de 20%. A renda prime fixou-se nos 30,00 €/m²/mês, mais 3,4% do que há um ano. O número de operações subiu para 80, mais 11%, o que sugere que a procura se mantém, apesar da queda na área total contratada.
As expansões representam hoje 43% da ocupação em Lisboa, um salto significativo face aos 13% de 2025. As empresas optam por crescer nos espaços que já ocupam, refletindo maior seletividade e continuidade operacional, mas também a escassez de produto de qualidade para acolher expansões de maior escala.
Por setor, tecnologias e utilities lideraram a procura na capital, com 25.223 m², representando 38% do volume de absorção total.
No conjunto do pipeline previsto para 2026–2027, mais de metade da área já se encontra pré assegurada, evidenciando a escassez de produto de qualidade disponível no mercado. Em 2028, Lisboa receberá o Projeto Entrecampos, que a Savills identifica como o maior desenvolvimento de escritórios da cidade: mais de 100.000 m² de espaço prime que deverão redefinir o Prime CBD e estabelecer um novo padrão de qualidade e sustentabilidade.
Porto regista melhor semestre desde 2024
Os 19.516 m² ocupados no primeiro semestre representam um aumento de 80% face ao período homólogo de 2025. Apesar desta recuperação expressiva, a atividade permanece cerca de 9% abaixo da média dos últimos cinco anos para igual período.
O segundo trimestre foi determinante para este movimento, concentrando 12.366 m² contratados - um crescimento de 89% face ao ano anterior - e funcionando como o principal motor da retoma.
A recuperação do mercado portuense foi impulsionada sobretudo pela procura pública e institucional, que totalizou 7.128 m², 37% da ocupação, quase integralmente suportada pela operação dos Serviços Nacionais de Saúde, com 6.149 m².
O setor de Tecnologias e Utilities também reforçou a sua presença, representando 29% do volume total de absorção e registando um crescimento de 66% face ao período homólogo de 2025.
As rendas permaneceram estáveis nas sete zonas de escritórios da cidade, com a Boavista Prime CBD a manter os 21,00 €/m²/mês, valor inalterado face ao primeiro semestre de 2025.
Até ao final de 2026, o mercado portuense deverá receber 46.377 m² de nova oferta, com um nível de pre let na ordem dos 44%. Para 2027 e 2028, está prevista a entrada de cerca de 51.000 m² adicionais, distribuídos por cinco projetos, reforçando a trajetória de expansão da cidade.
Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, conclui: “Lisboa e Porto confirmam, cada um à sua escala, que a procura por escritórios em Portugal continua ativa. Na capital, a subida do número de operações e o peso das expansões mostram empresas a comprometerem-se com os espaços que já conhecem. No Porto, o crescimento de 80% no volume de ocupação reforça o papel da cidade como alternativa relevante, sustentada, sobretudo, pela procura pública e institucional. Em ambos os mercados, o fator comum é a escassez de produto de qualidade, que deverá continuar a condicionar a atividade nos próximos trimestres.”