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Falta de oferta limita mercado de escritórios em 2026 apesar de forte procura

O mercado de escritórios em Portugal entrou em 2026 com a procura em alta, mas a falta de espaços disponíveis continua a travar a ocupação em Lisboa e no Porto, de acordo com o Savills Offices Outlook 2025 | Trends 2026.

Lisboa reforça o papel de barómetro do mercado nacional, com 204.241 m² colocados em 2025, uma descida de 8% face a 2024, mas ainda em linha com a média dos últimos três anos. O último trimestre foi o mais dinâmico, com 72.854 m² ocupados, mais 35% face ao período homólogo.

A taxa de desocupação fixou se em 8,36%, ligeiramente acima de 2024, mas ainda longe de aliviar a pressão sobre as rendas. Apenas 17% do stock de escritórios da cidade corresponde a produto Grade A (cerca de 757.000 m²). Esta escassez de edifícios de qualidade e sustentáveis está a refletir se numa renda prime de 30 €/m²/mês, mais 7% em termos anuais, com tendência de subida em 2026.

Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, sublinha que “o mercado de escritórios entra em 2026 com sinais claros de vitalidade, mas também com desafios que não podem ser ignorados. A procura mantém-se sólida tanto em Lisboa como no Porto, porém a escassez de espaços de qualidade continua a limitar a capacidade de resposta do mercado. A pressão sobre as rendas, a reduzida disponibilidade de produto Grade A e a necessidade de acelerar a entrega de nova oferta sustentável tornam-se fatores determinantes para a competitividade do nosso mercado de escritórios”.

Nova oferta qualificada ganha peso em Lisboa
Entre 2026 e 2028, o pipeline de novos projetos em Lisboa ultrapassa os 310.000 m², dos quais mais de 200.000 m² correspondem a novos edifícios de escritórios que irão elevar a qualidade média do stock.
Em 2026 estão previstos cerca de 100.000 m², com 68.000 m² já pré arrendados, enquanto 2027 acrescentará mais 71.000 m², sobretudo nas zonas Prime CBD e CBD.

Nos dois primeiros meses de 2026, Lisboa registou 17.247 m² de área ocupada, distribuída por 24 operações. As Zonas 3 (Nova Zona de Escritórios) e 5 (Parque das Nações) concentraram 67% da absorção total. O setor de TMT’s & Utilities representou 34% da procura, num crescimento de 55% face ao início de 2025 -
sinal de um arranque de ano particularmente forte e de um mercado com elevada confiança.

Porto com procura sólida, mas mais seletiva
No Porto, o mercado absorveu 43.704 m² em 2025, uma quebra de 43% face a 2024, mas com 40 operações registadas, 17 das quais no último trimestre, o que confirma a manutenção da procura, ainda que mais seletiva. As zonas de expansão concentraram 19.339 m², o volume mais elevado da cidade, enquanto a renda prime se manteve estável nos 21 €/m²/mês.

Até 2028, estão previstos cerca de 79.000 m² de novos escritórios, distribuídos por oito projetos, que contribuirão para a modernização e diversificação da oferta.
Nos primeiros dois meses de 2026, o mercado registou uma performance moderadamente positiva, com um crescimento de 3% face ao período homólogo de 2025. O setor tecnológico continua a destacar se como o principal impulsionador da procura de escritórios na região.

Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, conclui: “O mercado de escritórios em Portugal teve um início de ano positivo, com destaque para Lisboa, onde o take-up revela uma procura dinâmica e consistente, espelhando a confiança dos ocupantes. No Porto, apesar de um arranque mais moderado, os fundamentos do mercado mantêm-se sólidos e, olhando para o nosso pipeline de leads, estamos confiantes de que a atividade irá ganhar tração ao longo dos próximos meses. Num contexto internacional de elevada incerteza geopolítica, Portugal continua a afirmar-se como um destino seguro e atrativo, beneficiando da sua estabilidade, segurança, qualidade de vida e competitividade, sendo cada vez mais visto como um verdadeiro ‘porto de abrigo’ para investidores e ocupantes”.

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