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Estratégias de Gestão e Análise Preventiva na Antecipação dos Impactos dos Riscos Climáticos

Portugal tem registado uma sucessão de fenómenos climáticos extremos - inundações, chuvas torrenciais, DANAs, ondas de calor e incêndios - que causaram danos expressivos em edifícios residenciais, ativos terciários e infraestruturas públicas.
Estes episódios evidenciam a crescente vulnerabilidade do parque imobiliário face aos riscos climáticos, mostrando que muitos ativos foram concebidos para condições que já não correspondem à realidade atual.

Nos últimos meses, vários eventos meteorológicos intensos afetaram diretamente imóveis em diferentes regiões. As chuvas persistentes e as tempestades de inverno provocaram inundações urbanas, danos estruturais e interrupções em instalações críticas, levando mesmo à evacuação preventiva de zonas especialmente expostas.

A repetição destes fenómenos em períodos curtos sublinha a urgência de adaptar os edifícios e a sua gestão a um clima em rápida transformação.

A dimensão dos impactos mais recentes mobilizou meios públicos significativos. O Estado prepara-se para destinar milhares de milhões de euros à reparação e reconstrução, recorrendo também a fundos europeus.

Estes investimentos permitirão reabilitar ativos públicos, habitações e infraestruturas essenciais, mas demonstram igualmente que o custo de não antecipar o risco climático cresce de forma acelerada. A reconstrução após o dano mostra-se, por isso, insuficiente. O foco deve deslocar-se para a prevenção, a adaptação e a resiliência como pilares fundamentais para salvaguardar o valor dos ativos.

Paralelamente, o sistema financeiro e as seguradoras estão a integrar progressivamente os riscos climáticos nos processos de avaliação creditícia, sobretudo no setor imobiliário.
O Banco de Portugal destacou em 2025 que fenómenos como inundações, incêndios, stress hídrico ou ondas de calor já influenciam as decisões de crédito, afetando o valor, a rentabilidade e o perfil de risco dos imóveis.
O Banco Central Europeu, por sua vez, inclui riscos físicos e de transição nos seus quadros de supervisão e nos testes de stress às entidades financeiras, levando os bancos a avaliar com maior detalhe a exposição climática dos imóveis que financiam. A tendência é clara: ativos com avaliações rigorosas dos riscos climáticos e planos de adaptação bem estruturados apresentam um perfil mais sólido e beneficiam de melhores condições de financiamento.

Neste contexto, a antecipação assume um papel central em qualquer estratégia eficaz de proteção de valor. A experiência mostra que só uma gestão proativa e baseada em evidência permite enfrentar um cenário climático cada vez mais exigente. Por isso, reforçámos o nosso papel como parceiro estratégico de proprietários, investidores e gestores que pretendem transformar as suas carteiras em modelos de gestão mais resilientes.

Ao longo do último ano, analisámos mais de 150 edifícios em Portugal e Espanha, avaliando detalhadamente a sua exposição climática e definindo prioridades de intervenção para reforçar a capacidade de adaptação. Este trabalho assenta numa ferramenta interna que fornece uma leitura granular de cada ativo, identifica riscos relevantes, modeliza danos potenciais e orienta o desenho de planos de adaptação ajustados à realidade operacional e financeira de cada proprietário.

A adaptação climática deve integrar-se na planificação financeira dos ativos através de planos de CAPEX específicos, que priorizem intervenções eficazes, otimizem o investimento e incorporem a resiliência nas estratégias ESG. As ações podem incluir melhorias no escoamento e proteção contra inundações, reforço das envolventes, adaptação térmica ou proteção de sistemas críticos - sempre ajustadas ao risco dominante de cada edifício.

Embora o investimento público em reconstrução continue a ser essencial, a verdadeira vantagem competitiva para os proprietários reside em antecipar os impactos. A resiliência climática consolidou-se como um critério determinante de avaliação e financiamento, e a ausência de um plano de adaptação pode prejudicar a perceção de risco do ativo por parte do mercado e das entidades financeiras.

Na Savills acreditamos firmemente que dispor de análises rigorosas, ferramentas avançadas e planos de adaptação bem estruturados não só reduz perdas futuras, como protege o valor do ativo, melhora o seu posicionamento junto dos investidores e facilita a tomada de decisões estratégicas.  

O nosso objetivo é converter os riscos climáticos numa estratégia estruturada e operacional, plenamente alinhada com os objetivos de investimento, fortalecendo a resiliência, a sustentabilidade e a valorização do património imobiliário. 

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