Notícias da Savills

Metade das ruas de luxo europeias prepara subida das rendas

A escassez de oferta nas localizações prime está a levar as marcas de luxo a ajustar as suas estratégias de expansão, com Londres a destacar-se como o mercado que mais tem impulsionado a abertura de novos espaços.

Cerca de 50% das principais ruas de comércio de luxo da Europa vão registar subidas de renda em 2026, contrariando a desaceleração global observada em 2025, segundo o Global Luxury Retail Outlook 2026 da Savills. O estudo, que analisou 27 destinos de luxo em todo o mundo, mostra que as rendas prime globais travaram a fundo em 2025, subindo apenas 0,9%, depois de um crescimento de 6,6% em 2024. A Europa contraria esta tendência, registando um crescimento de 1,2%, com a atividade concentrada nas localizações de topo, onde praticamente já não existe oferta disponível.

José Galvão, Head of Retail da Savills Portugal, sublinha: “Lisboa, e em especial a Av. da Liberdade, continua com elevada procura por parte das principais marcas de luxo internacionais. Nos próximos dois anos está prevista a entrada de várias marcas pela primeira vez no mercado nacional. Este nível de procura, aliado à escassez de oferta, irá manter pressão nas rendas, à semelhança do que acontece nas principais capitais europeias.”

Londres lidera abertura de novas lojas de luxo
A capital britânica é o exemplo mais claro desta dinâmica. Em 2025, 42% das novas lojas de luxo abertas em Londres resultaram de expansões, a percentagem mais alta entre as cinco principais cidades de luxo do mundo. Isso inclui tanto aumentos de área em lojas já existentes como mudanças para espaços maiores. Apesar de concretizadas em 2025, estas operações foram decididas há quase dois anos, mostrando como as marcas planeiam com grande antecedência para assegurar as localizações prime.

Anthony Selwyn, Co-Head of Global Retail da Savills, explica: “Não estamos a assistir a uma quebra de procura, mas a um reajustamento estratégico. A oferta em localizações prime está tão limitada que a qualidade e a escassez das oportunidades passaram a ditar toda a atividade. Na Europa, a competição pelos melhores espaços intensificou-se ao ponto de criar pressão nas rendas, mesmo num contexto económico desafiante.”

O crescimento das rendas não se limita a Londres, Paris e Milão. Cidades como Amesterdão, Viena e Copenhaga também registaram subidas, alargando o mapa do luxo europeu a novos destinos.

Marie Hickey, Global Retail Research Lead na Savills, conclui: “Depois da forte recuperação de 2024, o mercado normalizou e tornou-se mais cauteloso em 2025. A Europa continua a destacar-se, mas o crescimento está concentrado num número restrito de ruas, onde a procura constante colide com uma oferta cronicamente escassa. Esta tensão deverá manter-se durante 2026.”

Quando não conseguem expandir nas localizações preferenciais, as marcas de topo estão a criar novos eixos comerciais, alargando geograficamente as zonas prime tradicionais. Trata-se de uma estratégia que só está ao alcance dos operadores com maior capacidade negocial.
Para mais

Recommended articles