Notícias da Savills

Inovação e Sofisticação no Setor Imobiliário

Em 2018, a Savills entra no mercado português com a aquisição de 100% da Aguirre Newman. É esta forma que, a empresa de referência mundial na área do imobiliário inicia o investimento em Portugal.   Para percebermos como decorreu a mudança e os objetivos da empresa estivemos à conversa com Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Portugal.

Em 2018, a consultora imobiliária Savills ganhou uma nova identidade. Explique-nos de que forma decorreu a mudança.

Foi extremamente entusiasmante e particularmente gratificante ver a abertura de espírito da nossa equipa e sobretudo a vontade de mudar. Da parte da nossa casa mãe foi tudo muito bem organizado e com um apoio muito próximo. A Savills é uma empresa que procura organizar-se e crescer sempre de forma sustentada, com enfoque, nestes últimos anos, no mercado europeu e noutras zonas do globo. Saber comunicar e ter sentido crítico é o que nos permite procurar sempre fazer mais e melhor. Em Portugal não quisemos ser exceção, procurámos ser ágeis a traçar uma nova estratégia, reorganizar trajetórias de acordo com as oportunidades que a nova marca nos iria trazer e fomentar o crescimento da equipa alargando as nossas áreas de negócio. Em suma procurámos desde cedo colocar Portugal no mapa da Savills. A transição para a nova marca foi muito suave devido à existência de uma grande vontade em absorvermos a cultura da Savills e tirar o melhor proveito do seu modus operandi.

Também é em 2018, com o rebranding da empresa, que passa a ser CEO da Savills Portugal. Um sinal de reconhecimento do seu trabalho, como consultora imobiliária.

Com o rebranding da empresa, o que mudou foi apenas a nomenclatura do cargo (mais coincidente com os cargos praticados pela casa mãe britânica) assim como a dimensão da empresa e consequentemente a dinâmica que um projeto a uma escala global exige, porque na verdade eu era já há muitos anos Managing Partner da Aguirre Newman com funções similares. Não deixando com isto de sentir que houve uma reiterada confiança por parte da Savills no trabalho que eu havia desenvolvido na última década.

Tendo em conta a sua experiência profissional, no ramo imobiliário, como analisa as principais alterações no setor?

O mercado imobiliário ressurgiu dos tempos do subprime com uma sofisticação que nunca se havia visto em Portugal, não só pela diversificação da origem dos investidores internacionais que nos têm procurado nos últimos 6 anos e que trazem novas exigências, mas também pela necessária criatividade que foi acontecendo em relação aos diferentes modelos de negócio e incentivos ao investimento que foram surgindo. A necessidade de olhar para os imóveis com um sentido crítico mais apurado e perceber qual o melhor destino a dar a esses mesmos imóveis também nos trouxe um mercado mais enérgico e interessante.

Qual o principal foco de atuação da Savills?

Como consultora imobiliária temos procurado sofisticar a nossa abordagem ao imobiliário com áreas que completam e enriquecem esta atividade, oferecendo um serviço integrado e abrangente que facilita e dá consistência às decisões dos nossos clientes. Em suma focamo-nos em oferecer aos nossos clientes um serviço de excelência que abrange todas as áreas do imobiliário através de uma equipa multidisciplinar e qualificada.

Como define os clientes da vossa empresa?

Todos os clientes que procurem assessoria de A a Z nos serviços imobiliários, não esquecendo as áreas mais técnicas, arquitetura, consultoria, avaliações etc. O nosso foco é ainda muito na propriedade comercial, pela vasta experiência que temos nessa área, mas estando nós sob uma sigla tão forte a nível mundial, em breve iremos alargar o nosso espetro de atuação.

Quais as maiores oportunidades de negócio, no mercado português?

Depois da reabilitação urbana, da promoção de imóveis para o mercado hoteleiro e residencial, os escritórios são o senhor que se segue dada a clara escassez de oferta gerada pela boa dinâmica empresarial e pelo foco que os investidores tiveram nos mercados acima mencionados. Podemos ainda mencionar o aparecimento de empreendimentos onde se vai promover a construção não só de escritórios e espaços residenciais mas também equipamentos e zonas de retail que irão criar zonas onde a vivência em comunidade será mais fácil sem necessidade de grandes deslocações. Felizmente Lisboa tem ainda espaço para receber alguns destes empreendimentos que desejavelmente serão um bom exemplo de boa vivência em cidade. Nestes casos sempre com a sustentabilidade no centro das atenções.

De que forma a Savills está a investir em Portugal?

A Savills encontrou uma equipa madura no mercado português aquando da aquisição da líder Ibérica Aguirre Newman, mas que ganhou margem para crescer pelo perfil de clientes que com a nova marca pudemos ir buscar. O maior investimento que temos feito é no crescimento orgânico da equipa, na atração de novos talentos, na inovação e consequentemente, na diversificação e sofisticação das áreas de negócio.

Portugal é o “mercado chave” para os investidores estrangeiros. Porto, Lisboa e Algarve são locais de eleição. Considera que, em Portugal, há outros locais emergentes ainda por explorar?

Num país geograficamente pequeno como o nosso, deveria ser fácil uma abordagem mais agregadora das várias regiões que o compõem de forma a atrair outro empreendedorismo na esfera imobiliária, mas para que isso aconteça os municípios têm de deixar de atuar de forma individual e estabelecer parcerias e formas de cooperação que interliguem as cidades. Isto torna-se ainda mais importante pela falta de escala que a maioria das cidades portuguesas têm, o que as torna menos atrativas ao investimento. Ainda assim vemos cidades como Braga que tem sabido sair da sombra através de uma oferta universitária, cultural e comercial e que pela sua proximidade a fácil acesso ao Porto a torna numa alternativa muito interessante. Coimbra está também a procurar posicionar-se, mas necessita de uma estratégia de desenvolvimento mais arrojada e consolidada, o Fundão é um bom exemplo que desmistifica a falta de condições para que haja desenvolvimento nas regiões do interior, note-se que o nosso interior é quase a beira-mar se comparado com outros países.

A consultoria técnica é um marco distintivo da vossa empresa. Ter, por exemplo, o serviço de arquitetura é uma grande vantagem face a empresas concorrentes?

A Arquitetura é sem dúvida uma área de grande complementaridade e impulso para as nossas outras áreas de negócio e não pode estar dissociada do imobiliário, é na arquitetura que está a base de um imóvel, e é na arquitetura – a de interiores – que o preparamos para o seu uso final. Visto assim, penso que será fácil concluir que trabalhar com o departamento de Investimento e enriquecer tecnicamente as nossas abordagens a um imóvel faz todo o sentido, assim como trabalhar com o departamento de Consultoria nos diferentes serviços que esta presta, ou ainda com Escritórios nos estudos de implantação que fazemos para ajudar os nossos clientes a percecionar a jusante, qual a adequação de um espaço às suas necessidades. O que nos distingue é a diversidade de competências que temos neste departamento, alicerçada pela experiência de mais de 20 anos a oferecer serviços integrados de arquitetura.

As certificações são muito importantes para as empresas. Fale-nos um pouco das certificações da Savills.

No histórico da nossa empresa procurámos sempre dar consistência ao que fazemos. Se sabemos como desenvolver o nosso trabalho, se damos importância a temas tão importantes como a ética no trabalho, a sustentabilidade, o bem-estar dos nossos colaboradores e não menos importante o serviço de excelência aos nossos clientes, porque não certificar tudo isso? É o que vimos fazendo, com os nossos analistas e avaliadores que se certificam pela CMVM e/ou pelo RICS, ou no caso de dois dos nossos arquitetos que foram os primeiros a alcançar o certificado WELL e BREEAM. O primeiro certifica o modo como o edifício e toda a sua envolvente enaltecem o nosso conforto, fomentam a sua boa utilização e, acima de tudo, impulsionam a responsabilidade perante a saúde e o bem-estar em todos os seus intervenientes. Os resultados? A produtividade aumenta em mais de 90% quando estão garantidas a boa qualidade do ar e da acústica. 25% é quanto os utilizadores atribuem a uma boa iluminação circadiana na melhoria da sua qualidade de sono. 92% reconhecem a importância do efeito positivo de um espaço pensado no bem-estar do ser humano.

Já o sistema internacional de classificação BREEAM define padrões para as melhores práticas de projeto, construção e operação de edifícios sustentáveis, tornando-se num dos mecanismos internacionais mais abrangentes e amplamente reconhecidos na avaliação do desempenho ambiental de um edifício. As medidas usadas representam uma ampla gama de categorias e critérios energéticos, ecológicos e bem-estar, tai como: o uso de energia e água, o ambiente interno (saúde e bem-estar), poluição, transporte, materiais, resíduos, ecologia e processos de gestão.

Na sua opinião, existe alguma diferença entre uma liderança feminina e masculina? Sente que as mulheres têm de «provar» mais que os homens para singrar no universo da gestão imobiliária?

O que sinto é uma enorme complementaridade nas duas formas de liderar que reconheço terem as suas diferenças. Eu e o meu colega de direção geral, Paulo Silva, seguimos um modelo de co-liderança que se tem demonstrado ganhador. Na visão e valores com que nos regemos para gerir a empresa somos iguais, na forma como a gerimos somos diferentes mas altamente complementares. Não escondo que tive que me colocar à frente da trincheira de forma mais ativa e firme para ver reconhecido o meu trabalho ao longo da minha carreira profissional, mas nunca, quando o fiz com determinação, encontrei entraves. Penso que cada vez mais as mulheres são reconhecidas da mesma forma que os homens muito pela sua comprovada competência, sensibilidade aliada ao sentido de organização e capacidade de realizar várias tarefas em simultâneo sem perderem o ritmo, mas ainda assim resisto muito a estereotipar, é tudo uma questão de competência e não de género. O que acontece é que a sociedade está a mudar e a mulher dos nossos dias não tem receio como outrora de dar voz à sua competência.

 

Fonte: Liderança no Feminino

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